Escolher Deus: “Uma decisão do coração!”

Hoje quero escolher Deus na minha vida.

Não é fácil!

Na liberdade concedida a nós, é possível muitas vezes e até por toda a vida, não escolhermos a Deus. Consiste numa livre decisão do nosso coração, por Aquele que desde toda eternidade nos escolheu por primeiro porque nos ama. Ele se decidiu por nós!

Os nossos pais e outras pessoas nos amam também, mas não podem fazer nada diante de nossas escolhas, quando decidimos não contar com eles, quando nos entregamos às atitudes de rebeldias e desobediência.

Mas, infinitamente mais que nossos pais ou qualquer outra pessoa, o Pai do céu nos ama. Porém, respeita profundamente nossas escolhas, nossa liberdade. Ele mesmo a deu a nós.

“Ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a Ele. Por que é isto a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais” (Dt 30,19-20).

Deus quer a nossa salvação. Por isso nos enviou seu Filho Jesus, para assumir sobre si todos os nossos pecados, libertando-nos para a vida plena. Mas cabe a nós aceitar a Cristo como nosso Senhor e Salvador pessoal, tornando-nos seus valentes seguidores, livremente: “Quem quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24).

O amor de Deus, o seu perdão, a salvação, a vida eterna, são dons gratuitos do Coração de Jesus para nós. Não se compra, aceita-se. Escolher Deus é escolher a vida e a felicidade.

Então vamos pedir ajuda ao Espírito Santo. Que com sua graça e poder, possa fortalecer nossa vontade e nossa decisão, para uma escolha perene e salvífica! Que escolhamos a Cristo, único Senhor, em cada momento, em cada gesto, palavra e pensamento, nos sentimentos e todas as atitudes. O Espírito que guia e santifica a Igreja nos ajude, nesta peregrinação para a Páscoa, a viver a verdade nos fortalecendo para a vontade de Deus.

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“Estamos em Estado Permanente de Missão!”

sagrado coração

Anunciamos a presença amiga e acolhedora do crucificado-ressuscitado, Jesus o missionário do Pai entre nós!

Anunciamos que Ele não está longe, mas, bem perto de cada um de nós!

Anunciamos o seu amor e a sua misericórdia; que Ele é o Deus que nos acolhe em seu Coração santo!

Anunciamos que Ele é o Bom Pastor que nos guia e ilumina com sua Palavra a nossa vida, a nossa REALIDADE!

Anunciamos e testemunhamos que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida! Mesmo com nossas dificuldades e com nossas fraquezas queremos amá-lo com amor fiel e incondicional!

Venha se juntar a nós e também SER AJUDA na instauração do Reino de amor de Deus, anunciando conosco a Sua Palavra, sendo um Discípulo Missionário de Jesus Cristo Caminho, Verdade e Vida.

Venha nos ajudar a aproximar o Coração de Jesus, o Bom Pastor principalmente daqueles que estão distantes, sozinhos, se sentem abandonados! Ajudá-los a se levantar e dar aquele passo confiante, dizendo-lhes: “coragem, o Senhor te chama! O Senhor está aqui!”

Irmãos, irmãs vamos nos unir para levar Jesus aos corações!

Venha ser também ajuda!

Venha ser discípulo missionário!

Ajudar a superar os vazios,

Ajudar a superar os individualismos,

Ajudar a superar os conflitos contra a vida!

Venha ser ESDRAS! Um jeito de SER, no acolhimento, seguimento e anúncio de Jesus Cristo, do seu Coração de Bom Pastor.

Venha descobrir “o que em Jesus desperta o nosso fascínio, faz arder o nosso coração e leva-nos a tudo deixar e, mesmo diante das nossas limitações, fraquezas e necessidades, afirmar um incondicional amor a Ele” (DGAE-2011/2015)

Vamos juntos superar os desânimos, superar as murmurações, repartir as tarefas, acolher os dons uns dos outros, confiando nas capacidades dos outros.

Vamos juntos, sermos o Acolhimento e a Misericórdia do Coração de Jesus o Bom Pastor!

Jesus Cristo é o sentido mais profundo da nossa vida! Todos têm lugar no Seu Coração. Ele é aquele que não pára de “iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados e de dirigir os nossos passos, guiando-nos o caminho da paz!” (cf. Lc 1, 79)

ANUNCIE ISTO!!!  (Lc 1,79)

ESTAMOS EM ESTADO PERMANENTE DE MISSÃO”

Helenice Alves Gusmão

Fundadora da Comunidade Esdras

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Vem aí!

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Devoção ao Coração de Jesus

Lendo os Evangelhos percebemos que, no entender do próprio Jesus, a vida eterna e, por isso mesmo, toda a vida cristã consiste em conhecer o Pai e a Ele (Jesus Cristo). Então vale a pena aprofundar este conhecimento feito de fé e de amor pela pessoa de Jesus (cf. Jo 17,3). Era também esta a grande prece que Paulo fazia por seus irmãos de Éfeso (Ef 3, 14-19).

Fala-se em culto, devoção e espiritualidade do Coração de Jesus. Vamos tentar entender o que significa cada um deles. Vamos tentar compreender também o que queremos dizer com a expressão ‘Coração de Jesus’.

O que se entende por culto?

A palavra culto deriva de um verbo latino (colere) e significa ter o cuidado de cultivar. O culto é a veneração que se tem por um ser ou uma pessoa, uma atitude interna feita não só de admiração, de estima e de honra, mas também de humildade, de entrega, de submissão.

Quando falamos em ‘culto religioso’, devemos lembrar que ele estabelece um relacionamento entre Deus e a pessoa humana; entre Deus que se revela, se doa e a pessoa humana que responde a Deus com serviço e amor.

O culto é, antes de tudo, interno, mas pode e deve expressar-se em atos externos. Aqui entram nossas orações pessoais, comunitárias, nossas celebrações litúrgicas com que respondemos ao amor do Coração de Jesus por nós.

O que entendemos por espiritualidade?

Espiritualidade é um termo muito usado hoje. Indica o espírito de uma coisa, um estilo de vida, uma mentalidade; é uma maneira de ser e agir. Falamos, assim, de espiritualidade sacerdotal, conjugal, franciscana, dehoniana, espiritualidade do século XIX…

Falando em espiritualidade do Coração de Jesus, pensamos numa maneira de ser, num estilo de vida que deve ter uma pessoa que acredita no amor de seu Deus e que fez até a experiência do grande amor que o Pai e o Coração de Jesus têm por ele (ela). Pensamos na vida que leva uma pessoa que acolheu em si o Espírito do Amor e se une ao Coração de Cristo nesta grande obra de redenção dos seus irmãos(ãs), por amor.

O que entendemos por devoção?

Devoção é uma palavra ambígua; pode ter vários sentidos. Aqui nós não a tomamos no sentido de uma ‘prática piedosa’, nem no sentido de ‘fervor’ ou de ‘consolação espiritual’ (como falamos de oração: Eu senti muita devoção, rezei com muita devoção).

O sentido que damos, aqui, à palavra devoção é aquela tirada dos escritos de Santo Tomás: “A prontidão habitual da vontade nas coisas que se referem ao serviço de Deus”. Significa, então, uma disposição permanente e pronta em nossa entrega a Deus. Devoção é, aqui, quase sinônimo de Consagração. Seria, então, uma resposta de amor ao amor de Cristo, consagrando-se a Ele. Cristo, por amor, deu a vida por nós (cf 1Jo 3, 16) e nos associou aos mistérios de sua vida (cf 1Pd 2, 9). Portanto, é necessário que respondamos a Ele, com o nosso amor. Isto é ser devoto do Coração de Jesus.

O que significa e expressão ‘Coração de Jesus’?

Comecemos pelo simbolismo do ‘CORAÇÃO’. Em nosso linguajar, o coração é o símbolo natural do amor. Não porque este órgão físico produza o amor, mas porque no coração repercute, de modo maravilhoso toda a gama de manifestações afetivas que, em nós, está relacionada com o amor.

O Concílio Vaticano II usa, também, o símbolo do coração ao falar do amor de Cristo: “O Filho do Homem, com sua encarnação, uniu-se a todo homem. Trabalhou com mãos de homem, pensou com inteligência de homem, trabalhou com vontade de homem, AMOU COM CORAÇÃO DE HOMEM” (GS 32).

Com a expressão ‘Coração de Jesus’ entendemos a própria Pessoa de Jesus, o seu aspecto mais nobre, mais atraente para nós: o AMOR, síntese e foco unificador de toda a vida, de toda a obra e de toda a Pessoa de Jesus.

A devoção ao Coração de Jesus venera o amor humano do Filho de Deus Encarnado. Lembra Jesus que nos ama com amor humano e, por isso, nós sentimos nosso Deus muito próximo de nós, caminhando ao nosso lado.

Mas, a devoção ao Coração de Jesus venera não só o amor humano de Jesus. Lembra e venera, também, o seu amor divino. Quando dizemos Coração de Jesus (ou Coração de Cristo), queremos significar a Pessoa de Jesus Cristo, enquanto é, na sua Pessoa e na sua vida, a máxima manifestação do amor divino-humano com que Jesus Cristo nos amou e nos ama.

Pio XII escrevia: “O Coração de Jesus é o Coração de uma Pessoa divina, ou seja, do Verbo Encarnado e, por isso, representa e, por assim dizer, nos põe diante dos olhos todo o amor que Ele teve e ainda tem por todos nós. Portanto, fácil é concluir que, em sua essência, o culto ao Coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus e, ao mesmo tempo, a prática do nosso amor para com Deus e o próximo” (H. A. in AAS 48, 344s).

E João Paulo II nos lembra que, na Pessoa de Jesus Cristo, se revela também o amor misericordioso do Pai para com a humanidade. O Coração de Jesus será então, também, o amor misericordioso do Pai que, em Cristo, se revela e se doa totalmente a nós.

E a melhor forma de sermos devotos do Coração de Jesus no mundo de hoje será levar esta misericórdia do Coração de nosso Deus aos nossos irmãos e irmãs, principalmente aos pobres, oprimidos, esquecidos, marginalizados; é ser misericórdia do Coração de Jesus para todos eles e tentar reconstruir neles o rosto, o projeto de Deus.

P. Francisco Sehnem, scj

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Um convite a olhar o “Mistério da Cruz”

João Paulo II nos fez esse convite, na exortação apostólica pós-sinodal sobre a Reconciliação e a penitência, que fazemos hoje a você.

Nesta exortação apostólica, João Paulo II diz que, falar para os homens e mulheres de hoje de reconciliação e penitência, é convidá-los a encontrar com as palavras que Jesus inicia sua pregação: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1,15). O documento fala de reconciliação e de penitência porque elas estão intimamente ligadas, não podem ser separadas.

Na introdução, ele já nos dá um conceito de penitência e reconciliação, embora fale que esses conceitos sejam bastante complexos. Mas que se o relacionarmos com a metanóia, que se referem os sinóticos (Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas), nós conseguiremos compreender seu significado. Nos sinóticos, compreendemos que a penitência significa a íntima mudança do coração sob o influxo da Palavra de Deus e na perspectiva do Reino. Mudança do coração que leva a mudança de vida, a penitência só tem sentido com os frutos que produz, é a existência toda que se torna penitencial. No sentido teológico espiritual, penitência significa ascese, o esforço pra mudar. Esforço do homem, em despojar-se do homem velho e revestir-se do novo, esforço esse amparado pela graça de Deus. Então, penitência é essa conversão que passa do coração às obras. E sem essa conversão não há reconciliação.

No documento, João Paulo II, chama a atenção pelo desejo que o homem tem de reconciliar-se. O homem que se vê, tanto nas relações pessoais como sociais, ou de grupo, e a nível mais amplo, de nações, países, o homem que se vê dividido, cheio de conflitos, de feridas. Ele tem o desejo de cicatrizar as feridas, é o desejo de paz, é desejo de reconciliar. A luz da fé esses conflitos, essas feridas nós chamamos de pecado, e o remédio do pecado é a reconciliação. Ela torna-se necessária porque se deu a ruptura pelo pecado, então a reconciliação para ser total exige necessariamente a libertação do pecado, a conversão, que é fruto da penitência. A reconciliação é fruto da conversão que é fruto da penitência.

Para compreendermos melhor, João Paulo, faz uma reflexão da parábola do filho pródigo, Lc 15, e nos diz que esse filho somos cada um de nós, cada homem de hoje, que fascinado pela tentação de se separar do Pai para viver de modo totalmente independente a própria existência, tenta construir um mundo só para si, até que cai em si e tem o desejo de voltar à comunhão com o Pai. E aí, quando ele volta, sobressai na parábola a figura do Pai. O acolhimento amoroso e festivo do Pai, imagem da misericórdia de Deus, sempre pronto para perdoar, aí a parábola frisa que a reconciliação é principalmente um dom do Pai celeste, um dom de Deus. Depois entra em sena o irmão mais velho, que não quer participar do banquete que o pai mandou preparar para eles festejarem a volta do mais novo. João Paulo II, fala que esse irmão é também cada um dos homens de hoje, cada um de nós. O homem que não compreende a bondade do pai, que vive com ele, mas não o conhece. E enquanto esse irmão mais velho, ciumento e cheio de raiva, não se converte e se reconcilia com o pai e com o irmão mais novo, o banquete ainda não é, no sentido pleno, a festa do encontro e do convívio.

Na figura do irmão mais velho, a parábola torna-se a história da família humana, mostra mossa situação, a família humana dividida pelos egoísmos, mostra a necessidade de uma profunda transformação dos corações, pela redescoberta da misericórdia do pai. A figura do filho pródigo representa aqueles que já trazem na consciência o desejo dessa reconciliação, uma reconciliação em todos os níveis, sem reservas, ele tem a consciência, ou a intuição, que essa reconciliação plena, só será possível se ela derivar primeiramente da reconciliação com Deus.

Mais a frente, João Paulo, parte para a cristologia de São Paulo, nas cartas aos Romanos, aos Colossenses e aos Coríntios. Paulo fala que “de fato sendo nós inimigos, fomos reconciliados com Deus, mediante a morte de seu Filho”. Ainda sente-se inspirado a exortar os cristãos a “reconciliar com Deus”, uma vez que “Deus nos reconciliou consigo por meio de Cristo”.

A partir da reflexão da parábola do filho pródigo, João Paulo II nos leva a compreender que a reconciliação é antes de tudo um dom de Deus, é dom e iniciativa sua. E com a cristologia de Paulo, nos ajuda a compreender que essa iniciativa se concretiza no mistério de Cristo, redentor e reconciliador. São Paulo, ainda amplia a nossa visão da obra de Cristo, quando escreve que nele o Pai reconciliou consigo todas as criaturas, as do céu e as da terra.

João Paulo II, ainda nos fala, que a partir dessas e outras passagens do N.T. é legítimo fazer convergir às reflexões sobre todo o mistério de Cristo em torno de sua missão de reconciliador. E finaliza convidando-nos a olhar para o mistério da cruz, mistério no qual Cristo conhece e sofre profundamente o drama da divisão do homem em relação a Deus, ao ponto de chamar com o salmista: “Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?” e realiza ao mesmo tempo a nossa conversão.

Síntese da introdução da exortação apostólica pós-sinodal – Penitência e Reconciliação – João Paulo II

Milton Machado Junior Consagrado da Comunidade Esdras

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Ser ou não ser Cristão?

“Estejais prontos para dar a razão de vossa esperança a todo aquele que lhe pedir” (I Pd 3,15)

A Palavra de Deus, na 1ª Carta de São Pedro nos dá um ensinamento que nos remete à nossa identidade Cristã. Recorda-nos que o Cristianismo não surgiu como mais uma religião para que os judeus pudessem optar e muito menos para protestar contra o judaísmo. Jesus se encarnou, manifestou-se como uma proposta de vida plena, um Caminho de Salvação eterna para todos,  judeus e gregos, de todas as raças e de todos os tempos.

No contexto da diáspora, é que foi escrita a carta dirigida aos cristãos que, por causa da perseguição foram obrigados a fugir e se espalharem, para vários lugares diferentes. Era preciso que fossem fortes na fé e corajosos; era preciso que perseverassem. Eles preservavam a própria vida o quanto possível, mas era preciso que estivessem prontos para oferecê-la quando chegasse o momento de defender a fé que professavam no Cristo. Foi essa situação importuna que se tornou a oportunidade providencial, para que fosse expandido a anúncio da Palavra e do Nome de Jesus. O testemunho dos apóstolos e de todos os seguidores de Jesus fez-se como sementes lançadas na terra, que banhada pelo Espírito prometido e muitas vezes com o próprio sangue ia germinando no coração de uns aqui, de outros ali… “e a cada dia se ajuntava aos apóstolos novos cristãos”.

As perseguições não aconteciam sem fundamento. Evidentemente o cristianismo com sua proposta de vida radical e amor sem limites a exemplo de Jesus soava como ameaça para uma religião que se tornara um fardo pesado, porque fundada em tantas leis muitas vezes mais opressoras do que libertadoras. Além disso, a nova conduta notável na vida dos seguidores de Jesus intrigava os corações de religiosos e autoridades do povo deixando-os numa condição de impotência nunca imaginada – afinal o que levava aqueles homens, uns simples e outros até cultos e influentes a deixar os prazeres da terra e seguir um homem “morto”, e ainda, que loucura era aquela de dizer que o tal homem havia ressuscitado? E mais, darem a própria vida pra dizer que seguir aquele homem era uma maneira de viver e que isso valia à pena? Na realidade, Aqueles homens já não aceitavam a condição de escravos do pecado e dos homens em que viviam por que Jesus os havia libertado. Isto significava que não mais aceitariam leis e decretos que destruíssem ou subestimassem a dignidade de filhos de Deus devolvida a eles por Jesus. Hoje podemos nos perguntar: o que resta a alguém que fez a profunda experiência de ser amado, tocado e libertado por Jesus Cristo fazer por ele? O que resta a nós fazermos por Aquele que nos deu a própria vida, que nos acolheu no seu amor misericordioso e que ainda nos reservou um lugar no Coração do Pai e nos garantiu constante assistência por meio do seu Espírito?

O sofrimento é elemento intrinsecamente ligado à nossa humanidade desde o pecado original. Portanto, sofrer faz parte da nossa vida, do nosso dia a dia. E Jesus ao se encarnar na humanidade, não retirou-nos dessa condição. Pelo contrário, sua proposta é apresentada nos seguintes termos: “quem quiser me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”, e mais “quem não deixar pai, mãe filhos, bens por causa do meu nome não é digno de mim”… Acontece, contudo, que Jesus com sua vida, morte e ressurreição nos apresentou e nos ofereceu um novo sentido para o sofrimento. Ele, com a própria vida nos ensinou que o sofrimento pode e deve ser uma ocasião de crescimento e salvação. Fez Ele próprio do sofrimento ocasião de libertação do pecado, de purificação e o propõe a nós como meio de conversão. Nele e por Ele o sofrimento encontra sentido de vida plena. Mas somente Nele. Fora Dele, tudo perde o sentido e a razão de ser. Se sofrer é um caminho inevitável na vida, resta-nos escolher pelo quê ou por quem vale à pena sofrer? São Paulo afirma: “para mim, Viver é Cristo e morrer é lucro”, e nos assegura que é na fraqueza que somos fortes. Assim ele assume a sua fé e amor por Jesus Cristo e a tudo que se refere a Ele e que o torna mais conhecido e mais amado.

Portanto, ser Cristão é acreditar que é na situação de limitação e de indigência humanas que Deus se revela com toda a sua força e faz a graça acontecer para que não nos gloriemos, mas que o reconheçamos o amemos e o glorifiquemos. É assim, fazendo-se indigente que Ele confunde os sábios. Ser cristão é aceitar esta proposta de vida de Jesus e ter a coragem, dizer, com palavras e com a vida, e ainda com um sorriso alegre e verdadeiro na face que vale a pena segui-LO, e que não há outro Caminho, não há outro Nome, e não há outra Esperança que nos garanta a vida a paz e a liberdade senão Jesus Cristo. É ser fiel, perseverar até o fim, mesmo quando o mundo todo disser ser em vão. É não ter medo “daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma”, é enfrentar já vitorioso as estruturas de morte que nos rondam e perseguem… É ANUNCIAR COM ALEGRIA QUE ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS E ESTARÁ CONOSCO TODOS OS DIAS ATÉ O FIM.

Cássia Soares

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O que eu espero para esse ano novo?

Nós já percebemos que ao chegar o fim de mais ano e o início conseqüente de um outro, muitas coisas se manifestam…

Primeiro, em nosso coração, surge a sensação de alívio pela etapa encerrada, e brota uma profunda esperança que o novo que vai começar, daquilo que vai surgir,  seja diferente, melhor, seja repleto de novidades e de expectativas.

Ao olhar para tudo que vivenciamos no passado presente, tão próximo, de uma etapa encerrada, devemos aprender com tudo o que aconteceu. Olhar para tudo o que vivenciamos e tirar as nossas conclusões, mas de uma forma bem refletida, bem vivenciada… O que significou para mim ter vivido tantas coisas? Não é simplesmente, fazer uma retrospectiva dos fatos mais marcantes e importantes, mas fazer uma leitura espiritual, como nos ensina, Santa Terezinha do Menino Jesus, uma reflexão contextualizada da nossa história, e perceber o que esses fatos significam para nós.

Tudo aquilo que já vivemos pode ser “matéria” para um novo impulso em nossas vidas, especialmente quando aprendemos com esses fatos, isso, é um princípio de vida, mas que depende da nossa postura e decisão pessoal.

Uma outra manifestação que toma conta de nós é a expectativa. Expectativa segundo o dicionário Aurélio é a “esperança fundada em promessas, viabilidades ou probabilidades”. Por isso, como já disse, devemos ser tomados por um novo impulso, algo novo nos espera. É a esperança renovada em nossos corações. Tudo de novo pode acontecer a partir de nossa expectativa. Apesar de tantos pesares, tantas limitações, tantas incompreensões, todas as coisas ao nosso redor podem ser transformadas, eu volto mais uma vez a dizer: depende da nossa postura e decisão pessoal. Quando estamos imersos em Deus, sabemos que isso é verdade, veja o salmo 33,22: “Senhor, esteja sobre nós a tua graça, do modo como em ti esperamos” (Bíblia da CNBB).

Diante de tudo o que vivemos, do novo que esperamos, é preciso saber que essa é a dinâmica da vida: viver, aprender, renovar, perder, alegrar, esperar, sofrer, amar… Não podemos nos esquivar de nossa história e de um Deus que nela está tão presente. Quaisquer sejam as nossas expectativas, Ele deve estar presente.

Que a nova etapa de nossa história esteja repleta da graça de Deus!

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